Fabiano Costa

Bonsai

Quem ensina a si mesmo tem um tolo como professor.

Bem, não achei um título mais interessante que esta frase de benjamin Franklin, estou vendo e temendo que o maior vilão de informações falsas, ou digamos preocupantemente ilusórias que seria a internet e seus assíduos foristas e colocadores de experiências rasas como uma verdade absoluta, seja ultrapassada por cursos prometedores de desvendar técnicas e segredos nos quais são muito claros e fáceis, mas passados por quem pode, ou seja, nem sempre quem detém toda a técnica, a experiência em cultivo e tudo mais pode ser uma pessoa habilitada à passar estas informações a frente, pois a didática é algo que muitas vezes não se pode aprender, tem que se ter o “feeling”.

Maestro Salvatore Liporace e representantes da equipe da Escola Confraria Floripa Bonsai no evento da Nakayoshi em set / 2013.

Maestro Salvatore Liporace e representantes da equipe     da Escola Confraria Floripa Bonsai no evento da                         Nakayoshi em set / 2013.

Muitas vezes algo complicado e até mítico para algumas pessoas pode parecer fácil demais para outras e isso só pode ser transmitido de forma tranquila e humilde, quem aprende tem que sentir o mesmo, e com muita segurança e a mesma humildade para aprender, esvasiar realmente o copo para poder encher de novo, assim como me propôs meu mestre Rock Júnior quando comecei a aprender com ele  há alguns anos atrás, é muito importante deixar o que se acha que sabe e assimilar o que é importante, o que vai fazer a diferença e somar positivamente ao seu conhecimento.

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Digo que temo que cursos sejam preocupantes exatamente pelo fato de pessoas não habilitadas à prática de ensinar e muitas vezes nem tecnicamente, estão se propagando, muitas com a melhor das intenções e prontas a ensinar o que ainda não dominam exatamente pelas lacunas deixadas por uma arte ainda nova em nosso país, onde quem sabe um pouco leva muitos, como o ditado ” em terra de cego quem tem um olho é rei”, e isso acaba fazendo uma base educacional da arte do bonsai, e creio que de várias que estejam na mesma situação, muito fraca e falha, onde se faz muitas intervenções de forma errada, contudo o bonsaísta trabalha com seres-vivos e creio que se deveria ter um pouco mais de respeito pela sua obra que nunca fica pronta, que é o bonsai.

O aconselhamento à uma coleta (yamadori) consciente é de suma importância, aqui na Escola Confraria Floripa Bonsai procuro salientar bastante esse ponto de vista, não coletar apenas por fazer e por ter um material muitas vezes barato e de fácil aquisição, mas ver se realmente vale a pena, se esta planta vai ter o respaldo para se manter viva após esta retirada, se terá uma pausa para se recuperar para daí então se tornar uma planta apta à intervenções para a arte do bonsai. Além da troca com o local no qual foi coletado, acho interessante colocar algo novo neste lugar até pela ação renovadora e consciente de que esteja trocando e não retirando!

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Não estamos no lado oriental do mundo onde o aluno apenas observa o professor por anos e não pode ficar questionando para poder aprender, creio que possamos salientar detalhes, desvendar segredos, todos juntos, professores e alunos, em uma classe onde se trabalha em silêncio pouco se aprende, práticas ficam mais interessantes quando há diálogo e discussão, quando todos podem perguntar e tirar dúvidas nos quais estão ali há tempos e muitas vezes por vergonha ou até por não saber como perguntar, ficam ainda obscuros, por isso muitos certificados são entregues injustamente, vemos pessoas fazendo cursos de alto custo com bandeiras fortes e com pouco trabalho a mostrar, infelizmente esse é um outro caso, nem sempre quem sabe muito é um grande artista, é uma parte do bonsai que nasce com a gente.

Discutindo bonsai na Escola Confraria Floripa Bonsai

Discutindo bonsai na Escola Confraria Floripa Bonsai

Podemos aprender a ser artistas, a fazer boa arte e muito técnica, mas pra fazer arte que deixa pessoas sem palavras, isso nasce com a gente, a arte do bonsai necessita de três partes distintas e que se completam: Técnica, cultivo e arte, logo mais tarde a filosofia se junta ao conjunto, o caminho que se segue pra sua arte e sua vida, o bonsai-do.

Mas aí é assunto pra outra postagem quem sabe mais pra frente.

Fabiano da Silva Costa.

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